Ao arrumar a lavandaria descobri uma dezena de abajures novos e sei que pela casa andarão mais quatro ou cinco velhos…
Quantas vezes nos acontece passar horas e horas a arrumar para chegar ao fim e perceber que o espaço continua cheio e que não caberá nem mais um novo objeto? Quantas vezes arrumamos um espaço que, pouco tempo depois, regressa à desordem inicial?
Pensei, procurei e descobri a resposta, que agora partilho. Para muitos, não será o que gostariam de ouvir, já que implica livrarmo-nos de muitos dos objetos que julgamos que nos são úteis. Todos nós tendemos a guardar roupas, papéis, cremes, eletrodomésticos, enfim, um sem número de objetos que não usamos mas que nos “poderão vir a fazer falta”. O que é certo é que muitos desses objetos muito bem arrumados serão só e tão apenas isso… objetos arrumados. E nós lá vamos, seguindo os dias… com novos objetos a entrar nas nossas casas (vindos de todas as partes – verdade seja dita – do pai, da mãe, dos filhos, dos netos,…) e com as nossas vidas a ficar atulhadas de coisas que não precisamos.

Há poucos dias discutia-se cá por casa a quem é que a nossa filha sairia no que toca à (des)arrumação. Passando o “testemunho” um ao outro, cada um de nós defendia-se como podia. Juro que tenho a noção de que não sou uma adepta fervorosa da organização do lar, não sou viciada em limpezas, desinfeções, arquivo, catalogação, ordenação e por aí fora… não sou muito escrupulosa nem meticulosa, já para não dizer “picuinhas”, mas acho que sou minimamente organizada, arrumada e não consigo trabalhar com confusão à minha volta. A minha mesa de trabalho fica todos os dias impecável e pronta para o dia seguinte, depois de horas a pintar, desenhar e apagar,…
Por isso, ao atacar com “a tua secretária deixa muito a desejar”,  fiquei escandalizada quando ouvi “olha que tu também não és muito arrumada!”.