Um dia, em casa da minha avó, resolvemos remexer a sua gaveta de naperons e, como já não os utilizava, a Mimila ofereceu-me alguns, na certeza de que eu faria bom uso deles. Na realidade, lembrei-me de que podiam ser aplicados em fronhas de almofada, tornando a minha avó sempre presente cá em casa. A minha mãe ofereceu-se para as fazer (já que o meu jeito para esta tarefa deixa muito a desejar…) e saíram lindas, lindas!

Um destes dias, embora não tenha partilhado aqui, resolvi atirar-me ao closet (existe em português uma palavra para isto, que não roupeiro?). Desta tarefa saiu roupa para lavar, roupa para dar e roupa/acessórios para deitar fora. Cheguei à conclusão que partilhar o espaço da roupa de vestir com a roupa de cama e wc não me agrada. Conclusão:
EME, PRECISAMOS DE UM ARMÁRIO PARA A ROUPA DE CASAaaa!!!
Procurámos o armário ideal, procurámos e procurámos… embora o ikea tenha sempre o que precisamos a bom preço (é incrível!), não queria mais uma solução Ikea ou semelhante… Procurámos, então, algumas lojas de móveis antigos… e nada!
Tinha visto um num armazém de móveis vintage, do qual gostei muito, mas, além do armazém ter fechado, desconfio que ainda não seria o ideal.
Foi então que o Eme, sugeriu: “Desenha, que eu faço!”
“Não digas isso duas vezes…”
E não é que disse mesmo?
Desenhei o dito e já “começámos” a construí-lo!!!
Se ficar bem, partilho os planos, querem?

Sempre que os nossos pais, tios e amigos vêm cá a casa, já entram a perguntar:
“Então, o que há de novo?”
“Eh pá, isto está diferente!” – também é costume ouvirmos…
Desta vez foi a mãe do Eme: “Então, há mudanças nesta casa? Quais são as novidades? Ah, ainda não tinha visto isto!…”
Tenho, então, andado a pensar: Será que isto só nos acontece a nós? E será bom ou mau? Devemos ficar contentes por aguçar a curiosidade das nossas visitas ou será isto sinal de alguma maluquice da nossa parte? Será que já acabávamos com estas obras e mudanças?
O problema foi que quando nos mudámos para cá, há cerca de 10 anos, fizémos obras, não assim tão pequenas, mas com um orçamento limitado às nossas possibilidades. Por outro lado, pouco depois surgia a oportunidade única de adquirir também o rés-do-chão (uma segunda casa, mais pequena), onde instalámos o atelier. De lá para cá, a nossa lista de afazeres nunca mais teve fim.
Se tivéssemos um milhão de euros, esta casa já estaria um brinco!
… mas, se calhar, já estaríamos prontos para sair dela e ir para outra. E aqui é que reside a nossa pequena “insanidade mental” – gostamos desta casa porque quase tudo nela tem sido feito com as nossas mãos; gostamos desta casa porque a vemos evoluir, porque nos dá luta, porque nos faz definir objetivos e fazer planos em família; gostamos dela porque temos vindo a ajustá-la às nossas necessidades, assentando-nos que nem uma luva… e porque no dia em que nos deixar de dar que fazer, perderá a graça.