Um pouco de inspiração ou como avançar com um lifting a um espaço sem grandes trabalhos e despesas

Esta imagem foi uma das que publiquei no Instagram esta semana. Ai, inspiração! O feedback foi tão positivo que é hoje a imagem de destaque deste artigo. Para além do mais, é o exemplo perfeito daquilo que quero partilhar – um canto da nossa cozinha reorganizado com os objetos que decidimos manter depois do “destralhanço” dos armários. São aqueles dos quais não prescindimos, nos quais gostamos de tomar um café ou um chá reconfortante, que contribuem para a imagem perfeita do nosso espaço ou que levamos para a mesa com muito orgulho.
Dinheiro investido na remodelação deste espaço: 0.
Tempo dispendido: uma tarde divertida.
Manutenção: a essencial para limpar pó e migalhas. De resto, desde que foi (bem) organizado, nunca mais este espaço se desarrumou.

Quando desafiei o Marcelo e a Cá para começarmos este blog, confesso que estava a ser mais egocentrista do que altruísta, mais desejosa de atingir o meu objetivo (de tornar a nossa casa e atelier naquilo que eu imaginava que deveriam ser) do que interessada em ajudar outros com os mesmos problemas e angústias que nós (mais eu do que nós). Só que a vida tratou de me mostrar que eu não sou assim tão egocentrada e que ajudar o outro é muito mais importante para mim do que eu pensava.

Ok, Carlota, and what’s the point?

O que eu quero dizer com isto é que não fazem ideia de como me tocam alguns e-mails que recebemos e como, mesmo depois de responder, essas pessoas não me saem do pensamento. Pessoas que querem dar uma volta às suas casas e se sentem inspiradas por nós. Outras, que nos pedem para ir mais devagar para poderem acompanhar. Outras, ainda, que precisam mesmo de ajuda efetiva para organizar um espaço ou decorar uma divisão, e contam connosco para isso. Este ano, já transformámos a sala de uma amiga, já ajudámos a organizar e decorar um pequeno apartamento de outra, já arranjámos roupeiros, restaurámos móveis,…

Bom, um dos e-mails que recebemos fez com que eu achasse que tinha que escrever este artigo. Trata-se de alguém que sente que tem que dar uma volta à sua casa (e, consequentemente, à sua vida), mas vê o tempo passar e sente-se inerte. Eu acho, na realidade, que o problema maior não é a nossa inércia, mas o facto de não sabermos por onde começar. Sabemos que não estamos bem, queremos mudar, mas não temos inspiração ou força para começar porque nem sequer sabemos como o fazer. É isso mesmo, malta, o objetivo está mal definido e o ponto de partida ainda pior: NADA definido!
Por isso, baseada naquilo que tenho aprendido nos últimos tempos, acho que posso ajudar…

 

COMO ULTRAPASSAR AQUELE CERTO SENTIMENTO DE INCAPACIDADE OU ANGÚSTIA.

  • Antes de mais, temos que saber concretamente o que desejamos. Qual é o nosso desejo? Uma casa mais organizada? Uma sala mais airosa? Mais alegre? Mais confortável? Definir o nosso desejo maior.
  • Depois, transformar esse desejo num objetivo, tendo em conta o orçamento disponível e um prazo (não muito alargado). Do tipo: “Até ao final deste ano” ou “Este mês vou…”. Não precisa de ser nada muito ambicioso… um objetivo simples, que seja concretizável e que, no final, nos faça sentir bem, felizes e com vontade de continuar para o nível seguinte. (Aproveito para dizer que no 52 fomos um pouco ambiciosos, este ano, e estamos a sentir a frustração de não conseguir atingir o nosso objetivo. Mas o que é que tentamos fazer? Regozijar-nos com o tanto que nós já fizemos… e foi mesmo tanto!)

 

Na resposta ao e-mail recebido, percebi que tenho a minha própria solução, a minha listinha de ideias muito simples, para…

 

COMO AVANÇAR COM UM LIFTING A UM ESPAÇO SEM GRANDES TRABALHOS E DESPESAS
(afinal, é o que nós andamos aqui a tentar fazer há meses)

  • Antes de mais, destralhar, claro! Tirar do espaço todos os objetos visíveis e arrumados e selecionar apenas aqueles que nos “aquecem” a alma, dos quais gostamos e que nos fazem sentir felizes. São esses apenas que vão voltar.
  • Perceber se existe já uma cor no espaço ou uma paleta de cores de onde podemos partir. Por exemplo: existe um sofá verde. Não vamos mudar o sofá, vamos ver de que forma podemos aproveitar e modernizar esse verde, com que outras cores o podemos conjugar, e vamos definir a paleta de cores a trabalhar. Posso dizer-vos que nenhuma cor está fora de moda, o que pode estar fora de moda é o modo como essa cor é assumida. Por cima do sofá verde podemos, então, colocar uma gravura com uma bonita imagem verde. No sofá, acrescentamos almofadões na cor que vamos associar ao verde e que completará a nossa paleta ou o nosso quadro de inspiração.
    (Foi o que fizemos com o sofá vermelho e os cortinados bordeaux da sala da Helena)

 

 

 

  • Os móveis. Em vez de substituir ou mandar pintar, arranjar forma de revalorizar os móveis. Destacar uma peça de mobiliário há muito “apagada” – uma cristaleira, um louceiro, um armário de prateleiras. Destacá-los, melhorando o que está em volta – pintar a parede onde se enquadram com uma nova cor, colocar neles poucos mas bons objetos. Adquirir para ali um ou outro objeto novo que esteja de acordo com a nova imagem do espaço. Procurar, entre as nossas coisas (loiças, panos, vasos,…), algo que fique lá bem ou surpreenda.
    (Fizemos isso com esta estante, que já estava nos arrumos)

 

 

 

  • E que tal trocar móveis de sítio? Porque não colocar uma cristaleira no quarto e uma mesinha de cabeceira na sala? E, porque não, uma escrivaninha com loiças na cozinha? Um louceiro pode virar armário de toalhas de banho e lençois… A ideia é olharmos para os móveis com outros olhos e surpreendermo-nos a nós mesmos.
    (Um armário de casa de banho virou móvel de apoio à secretária da Cá)

 

 

 

  • Trocar tapetes. Não quer dizer que tenha que se comprar novos. Pode-se até trocar o da sala com o do quarto… ou colocar um tapete por cima de uma carpete, em camadas… ou recuperar um velhinho já atirado para a arrecadação e acrescentar-lhe uns adereços, umas borlas nas pontas… mas, claro, desde que esteja de acordo com a nova imagem e com paleta de cores definida.
    (Fizemos isso com um tapete da cozinha que já esteve no quarto de hóspedes e que agora passou para a sala)

 

 

 

  • Aproveitar que o espaço está mais desafogado e realçar alguns objetos de que gostamos – um candeeiro, umas peças de loiça, um conjunto de fotografias,… – arranjando-lhes um novo lugar, à sua altura. Também podemos mandar ampliar uma fotografia bonita, emoldurar um objeto especial,…
    (Nós adoramos este postal tão simples, que nos foi enviado pelo artista Bruno Côrte)

 

 

  • E plantas… Nem que seja só uma. Trazem vida e energia ao espaço. E não quer dizer que as coloquemos em vasos tradicionais. Podemos colocá-las em cestos de vime (reaproveitados), em bules de chá, em terrinas,…

 

  • Canecas de água podem virar jarras para flores que trouxemos do jardim ou para ramos de arbustos que roubámos ao vizinho ou num qualquer terreno baldio.

 

 

Esta casa de passarinhos veio do jardim para a parede da minha sala de trabalho, já que os passarinhos não gostaram dela…
Malta, a solução está em arranjar um novo olhar sobre as coisas! Revirarmos este mundo e o outro (ou um pouco menos até) e criarmos. Criar faz bem tão à alma como a água ao corpo e só não percebo como é que nas escolas não existe a disciplina de “Criação”, como existe a História, a Geografia e a Matemática. Sem criatividade não há ninguém – nem o aluno com as melhores notas do mundo – que resolva um problema e, isso, até as maiores empresas já perceberam!
“Quem não tem cão caça com gato”, que é o mesmo que dizer: quando eu preciso de qualquer coisa mas não há orçamento para ela, arranjo maneira de a substituir com criatividade. 😉

Espero sinceramente que estas considerações vos venham a ser muito úteis e que sintam a inspiração a chegar!
Deixem a vossa opinião ou simplesmente, se gostaram deste artigo, um ♥ aí em baixo. Já perceberam como todo o feedback é importante para nós.

Beijinhos e abraços, muita inspiração, boas decorações e bricolages!

Carlota

 

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6 Comentários
  • Luísa Barbosa
    Publicado às 16:45h, 24 Novembro Responder

    Óptimo texto ! De acordo com tudo o que diz, que me vai servir de inspiração, certamente. Mesmo que haja algo que seja mais difícil,com objectivos claros e realistas, havemos de conseguir ! Grata por tudo !

    • Carlota
      Publicado às 16:56h, 24 Novembro Responder

      Bom trabalho!

  • Marta Moura
    Publicado às 14:12h, 24 Novembro Responder

    Que inspiração!

  • Sandra Marques de Paiva
    Publicado às 16:24h, 23 Novembro Responder

    Adorei!!! Que texto inspirador. Obrigada 🙂

    • Carlota
      Publicado às 18:43h, 23 Novembro Responder

      Era o que pretendia ser, Sandra! Ainda bem que achaste inspirador. Gostava que tivesse sido um pouco mais curto mas foi impossível… 😉

  • Maria Helena Barroso
    Publicado às 03:16h, 23 Novembro Responder

    Querida Carlota. Adorei a tua energia que contamina e me põe a imaginar novos arranjos. Gosto muito da minha salinha escritório uma vez que é lá que normalmente passo o dia, é a 1ª foto que apresentas nesta conversa de blog, É a salinha de cortinados grenat!
    Quero contar-te que me sinto muito bem nela! Obrigada a ti e ao Marcelo. Beijinhos aos três!

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