Sim, cá em casa somos designers gráficos de profissão. E sim, os livros, as revistas, a fotografia, a ilustração, a tipografia,… são a nossa companhia diária. Sim, somos daqueles cujos olhos semicerram para entender o equilíbrio, cujo coração acelera quando encontra beleza; sorrimos quando a estética se alia perfeitamente à função e sentimos paixão, um calor dentro do peito, com a forma das coisas, com os materiais, com o traço, com a linha, com as letras e as manchas de texto. Arrepiamo-nos com uma página bonita,…
E é por isso que gostamos de nos fazer rodear por aquilo que mexe connosco, nos faz bem à alma, nos transmite boa energia e nos inspira.

Destas ideias é que eu gosto: aproveitar o que já temos e dar-lhe ares de que acabou de ser adquirido numa loja gira! Depois de tudo o que destralhámos nos últimos tempos, adquiri o hábito de pensar primeiro numa solução de reaproveitamento antes de adquirir algo novo, desnecessariamente, cá para casa. Foi o que aconteceu com a jarra de vidro que hoje partilho aqui. Depois de ver esta garrafa da Zara Home – tão gira! – numas fotografias do catálogo, achei que podia facilmente fazer algo parecido, numa jarra um pouco sem graça, com as sobras da napa que utilizei para fazer esta prateleira suspensa.
E como, esta semana, deitaram abaixo uma árvore aqui da rua, e eu lá fui (claro, não me contive!) recolher um ramo para colocar na “nova” jarra, cheguei à conclusão que era dever cívico partilhar tanta beleza que juntos deram à nossa sala.

Uma das primeiras decisões que tomámos quando viemos para esta casa foi que fecharíamos a lareira com um recuperador de calor de inserir. Uma boa decisão. Até hoje não nos arrependemos de o ter feito. Por isso, olhando para a nossa lareira super acolhedora e quentinha, tomei uma decisão que comuniquei ao nosso homem:
“Vou escrever um artigo acerca de recuperadores de calor.”
“E o que sabes tu desse assunto?” – perguntou ele.
“Hhhhhmmm… sei de experiência própria; sei que quando sugeriste esta solução eu torci o nariz, mas que hoje acho-a perfeita!… e vou informar-me de mais uns quantos pormenores.”

Faltando o cão, caça-se com o gato!… e nós até temos dois para essa tarefa!
Remodelar um espaço pode implicar custos avultados mas, com boa vontade e criatividade, consegue-se excelentes resultados por muito pouco. A nossa sala não tinha iluminação de teto, apenas de parede, o que a tornava pouco iluminada, de noite. No dia-a-dia não nos faz diferença mas, em dias de visitas, não dá para receber as pessoas no lusco fusco. Com o teto de madeira que nós fizemos, resolvemos parte do problema (digo “parte” porque o teto apenas ocupa metade da área da sala). Por isso, tivemos que arranjar diversas formas de trazer mais luz para este espaço – com iluminação de chão, de mesa, de parede, imbutida no teto falso e de “falso teto”, como é o caso deste candeeiro (ou abajur).

Vamos na terceira parte e ainda não é tudo! Já se deve começar a perceber porque é que a obra desta sala demorou tanto. Puf!
O armário branco, parte da primeira mobília dos meus pais, que já veio de Moçambique de navio, que tem mais de quarenta anos… como abdicar dele?
Esse ficou, mas rodeado de muitas outras peças criadas por nós (muito DIY por aqui): o candeeiro de parede, os quadros, a tela,… e um desvario do Marcelo, que eu A-M-O!!. Já vão ver o que é.