No último dia de aulas, a Ca trouxe para casa uma pilha de coisas! Guardados na escola estavam trabalhos de EV e ET, lápis, régua, esquadro, compasso, máquina de calcular, dossiers de fichas, desenhos,… a mochila vinha a rebentar de cadernos e manuais! A tudo isto juntou-se uma série de recados e comunicações, os livros de leitura obrigatória e folhas soltas com apontamentos diversos. Tudo numa pilha que foi colocada em cima da mesa da sala. Normalmente, isto segue para o quarto dela, mas acaba por andar lá todo o Verão e, desta vez, decidimos, tratar imediatamente deste assunto. Desta forma, ficaremos já a saber que materiais podemos aproveitar para o ano que vem e que compras terão que ser feitas… com calma. Evitaremos, assim, compras por impulso de materiais que já temos.

Depois de termos começado o ano a destralhar em força, confesso que, com tantos dias de chuva, esmorecemos um pouco… Para destralhar temos que tirar tudo do sítio, separar, tirar de casa, limpar o que fica e os espaços e voltar a arrumar. Quer dizer, depois da lavandaria já destralhámos a oficina, que foi uma enooooorme empreitada!… Mas quando descobrimos as vantagens desta atividade caseira, isto pode tornar-se um vício… e eu já estava a ressacar…

A Ca tem uma predileção por coisas pequenas — brinquedos mini, mini, mini, tanto de compra como feitos por ela. Um destes dias partilharei as suas criações absolutamente incríveis… do tamanho de uma falangeta ou ainda menores! Quando tem tempo, lá vai ela com o tablet para a cozinha e, através de vídeos no Youtube, faz pastas de secagem ao ar e constrói pequeníssimos objetos para rechear as casas das bonecas. Tem milhares de coisas pequenas no quarto dos brinquedos!!… e arrumar não é o seu forte.
De vez em quando, descobre uma nova marca de brinquedos pequenos e lá vem ela fazer o seu pedido, com muito jeitinho…
Esta semana descobriu uma nova coleção de mini, mini, mini bonecos, que ela adorou!
“Mãe, posso ter um destes?”
“Hhm… vou pensar…”
Sossegou, mas eu resolvi aproveitar a deixa:
“Podes ter um desses se te empenhares e tiveres boas notas.”

Os planos para o fim-de-semana vão sempre muito para além do tempo disponível para os concretizar. Ainda assim, não me sinto frustrada. Foram dois dias muito produtivos: almoço em família, compras para a despensa, “jeitinho” no hall de entrada, que mais parecia o Depósito dos Sapatos (implica arrumos por baixo das escadas e telheiro à entrada de casa), corri os meus primeiros 5kms, hoje de manhã – uhuuuuu! – e… organização da oficina em andamento!
A organização da oficina tem sido feita à medida do tempo disponível, o qual, nesta reta final de execução de manuais escolares com diversas editoras, tem sido mínimo, mínimo… mas aqui vão os ditos progressos (e reparem nas miudezas a arrumar):

O atelier, o espaço onde passamos a maior parte do nosso tempo, é todo o rés do chão da nossa casa. Adquirimos esta área mais tarde, com o propósito de instalar aqui o nosso local de trabalho e, desde então,  tem estado em constante mudança. Há sempre novidades por cá! Uma canseira…
Onde foi uma cozinha é agora a sala do Eme, onde foi a minha sala é agora a cozinha e antes já tinha sido um… um quê?… já nem sei bem…
Aqui, construímos os equipamentos para os nossos clientes e aqui armazenamos todas essas criações que vão e vêm.
Mesas, cadeiras e armários rodam, viajam, entram e saem – muitas vezes por janelas – à espera de encontrar o seu lugar ideal. O pessoal vai rodando com os móveis, vai andando de sala em sala. Monotonia é coisa que aqui não há.
E vai sendo tudo feito à medida das possibilidades (e com as nossas mãos).
Julgo, no entanto, que estamos a chegar à situação ideal. É como quando estamos a adormecer: damos meia dúzia de voltas na cama até encontrar a posição certa e, depois, o descanso. (Ou, se calhar, não.)
Depois de fecharmos o telheiro lateral de acesso a este piso e alterarmos a entrada da casa para a frente do edifício, o Eme ganhou mais uma oficina! Com um portão de garagem, é agora o ideal para trabalhar num espaço que pode ser muito arejado mesmo nos dias de chuva. E o que ganhámos todos? Um interior mais limpo, sem cheiros de colas, resinas, madeiras e esferovite, serradura e pó por todo o lado. Uhhuuuuhhhh!
O que era, então, a oficina, destinar-se-á agora àquilo a que podemos chamar “sala de maquetes”, uma oficina para pequenas obras e trabalhos mais limpos. Para lá vão as nossas maquinetas de corte e recorte, colagem e outras tarefas giras. Festaaaa!!!

A nossa sala é local de chegada, local de passagem, local de estudo, de refeição, de criação, de leitura e de descanso. Vivemo-la muito intensamente e, por essa razão, era frequente vermos uma série de objetos desarrumados – as malas, os casacos, os telemóveis, o portátil, o tablet, todos os respetivos carregadores, um verniz (que serviu para pintar as unhas em frente à televisão), uma fita-cola, um lápis e uma borracha (que serviram para o estudo), os livros (que sairam da mochila e que amanhã não vão à escola), os blocos de apontamentos… enfim, tudo aquilo de que vamos necessitando e que vamos espalhando por todo o lado.
Ora, isto agrava-se quando a casa tem dois andares e, fartos de subir e descer escadas, fechamos os olhos ao que deveria ser arrumado “lá em cima”.
Para além da imagem desarrumada e desconfortável que passa, coloco-me no lugar da nossa empregada doméstica e imagino a dificuldade que terá em saber onde arrumar toda aquela “tralha”. Sim, é tanta que não o faz…