Outra tarefa que podemos aproveitar para fazer, quando estamos sem disponibilidade para empreitadas maiores, é tirar de casa, das garagens, dos arrumos ou dos jardins, aquilo que atravanca, está avariado ou não tem mais uso e é demasiado grande para deitar no contentor do lixo.
Há coisas que andam por aqui há imenso tempo por não sabermos o que fazer com elas. Depois de destralharmos a oficina, ficámos com uma série de madeiras velhas e outros materiais num canto do jardim, à espera de solução. Alugar um contentor não faz sentido e fica caro, colocar no lixo também não é possível…
A tarefa de hoje foi, então, ligar para o Departamento do Ambiente da Câmara Municipal e combinar um dia para passarem à nossa porta para fazer a recolha destes resíduos. Facílimo! Aqui, em Cascais, existe uma Linha Verde 800 203 186 (chamada gratuita). Ligámos, indicámos a morada e já marcámos para daqui a dois dias. Na noite anterior é só colocar na rua.
Um eletrodoméstico avariado, um colchão, qualquer peça de mobiliário,… tudo pode ser recolhido assim.
Abandonar resíduos no espaço público constitui uma contraordenação grave punível por lei e já todas as Câmaras Municipais terão este serviço.

Pois, na realidade, nesta casa somos mais do que três. Contando com a Mifi e o Luke, somos cinco a sujar!
Os gatos habitam no atelier, local onde passamos a maior parte do dia. São a nossa companhia, a companhia dos nossos colaboradores e, nas horas de maior aperto, são quem nos ajuda a descontrair… Entre um desenho e outro, há sempre tempo para uma festa, uma brincadeira… uma asneirada, também.
O Luke é o nosso gato mais pequenino, perito na asneirada!! Trepador, curioso, brincalhão, anda sempre de roda de nós.
Ao domingo de manhã, enquanto é feita a limpeza do atelier, estes gatinhos têm direito a subir até nossa casa. Foi num destes domingos de primavera que o Luke achou que devia marcar o seu território nos tapetes do nosso quarto.

Ora aqui fica partilhada mais uma coisa que aprendemos:
Enquanto estivermos a usar uma determinada tinta ou verniz, entre demãos, para não estarmos sempre a lavar o rolo, podemos guardá-lo dentro da lata. Só temos que a fechar bem e, quando quisermos voltar a usar, “pescá-lo” com o braço do rolo.
Esta dica torna-se ainda mais preciosa, se estivermos a usar tinta de esmalte ou verniz solvente, em que temos que usar diluente!

A Ca tem uma predileção por coisas pequenas — brinquedos mini, mini, mini, tanto de compra como feitos por ela. Um destes dias partilharei as suas criações absolutamente incríveis… do tamanho de uma falangeta ou ainda menores! Quando tem tempo, lá vai ela com o tablet para a cozinha e, através de vídeos no Youtube, faz pastas de secagem ao ar e constrói pequeníssimos objetos para rechear as casas das bonecas. Tem milhares de coisas pequenas no quarto dos brinquedos!!… e arrumar não é o seu forte.
De vez em quando, descobre uma nova marca de brinquedos pequenos e lá vem ela fazer o seu pedido, com muito jeitinho…
Esta semana descobriu uma nova coleção de mini, mini, mini bonecos, que ela adorou!
“Mãe, posso ter um destes?”
“Hhm… vou pensar…”
Sossegou, mas eu resolvi aproveitar a deixa:
“Podes ter um desses se te empenhares e tiveres boas notas.”

Sempre que os nossos pais, tios e amigos vêm cá a casa, já entram a perguntar:
“Então, o que há de novo?”
“Eh pá, isto está diferente!” – também é costume ouvirmos…
Desta vez foi a mãe do Eme: “Então, há mudanças nesta casa? Quais são as novidades? Ah, ainda não tinha visto isto!…”
Tenho, então, andado a pensar: Será que isto só nos acontece a nós? E será bom ou mau? Devemos ficar contentes por aguçar a curiosidade das nossas visitas ou será isto sinal de alguma maluquice da nossa parte? Será que já acabávamos com estas obras e mudanças?
O problema foi que quando nos mudámos para cá, há cerca de 10 anos, fizémos obras, não assim tão pequenas, mas com um orçamento limitado às nossas possibilidades. Por outro lado, pouco depois surgia a oportunidade única de adquirir também o rés-do-chão (uma segunda casa, mais pequena), onde instalámos o atelier. De lá para cá, a nossa lista de afazeres nunca mais teve fim.
Se tivéssemos um milhão de euros, esta casa já estaria um brinco!
… mas, se calhar, já estaríamos prontos para sair dela e ir para outra. E aqui é que reside a nossa pequena “insanidade mental” – gostamos desta casa porque quase tudo nela tem sido feito com as nossas mãos; gostamos desta casa porque a vemos evoluir, porque nos dá luta, porque nos faz definir objetivos e fazer planos em família; gostamos dela porque temos vindo a ajustá-la às nossas necessidades, assentando-nos que nem uma luva… e porque no dia em que nos deixar de dar que fazer, perderá a graça.