Um destes dias, as nossas batatas doces, esquecidas no cesto das batatas, começaram a grelar. Achei a folha tão verdinha, tão bonita — em forma de ♥ — que coloquei a batata em água e deixei que continuasse a crescer.  Entretanto, levei outra para a escola, onde dou aulas de artes a crianças, e acompanhámos o seu crescimento à medida que a íamos desenhando. A alegria dos meus meninos a cada semana que passava e as hastes aumentavam!!!
As aulas acabaram e tive que trazer a nossa plantinha para o atelier. Arranjei o sítio perfeito para ela e adoro tê-la ao meu lado!

Ando há meses para tratar das nossas plantas em vaso…
De tanto aguardar estão em sofrimento, coitadinhas. E olhem que, para catos e suculentas chegarem ao ponto as que as nossas chegaram, é preciso muita displicência e desleixo!
Ontem, a meio do dia de trabalho, já cansada dos desenhos e do computador, olhei em volta e cheguei à conclusão que faltava vida na minha sala.
Rapidamente, fui à varanda e retirei deste vaso umas suculentas sofridas.

Ora aqui está! Um cabide!
Esta ideia andava a moer-me há demasiado tempo! Há mais de um ano que guardo, na minha sala, madeiras velhas que foram retiradas de uma palete. Aposto que já muita gente que lá entrou se perguntou “mas por que raio tem ela este lixo aqui?”… É outra panca que tenho (para além do campo e da natureza)… madeira velha. Gosto… Gosto da rugosidade, do padrão dos veios, das histórias que guardam.
Outra panca: puxadores. Muitas vezes, os armários trazem puxadores que eu não acho apropriados e eu troco-os por outros mais a meu gosto. Ou então, troco os puxadores de uns móveis para outros, por forma a combinarem melhor com a decoração da divisão. Seja o que for, o que acontece é que fui ficando com uns puxadores a mais.
Por isso, numa tarde em que já não havia mais cabeça para os desenhos, desanuviei, reutilizando estes materiais.
A madeira era muito comprida. Cortei-a, SÓZINHA!, na serra circular. Uhuuu!! Louca!

Uma vez, na Alemanha, vi uns abajures numa montra tão lindos, que nem consigo descrever!!! Feitos com vários tecidos e aplicações e de vários formatos, muito alegres e kitsch!
Um dia, para o quarto da Ca, inspirada nesses, fiz este! É diferente dos que vi na Alemanha, mas gosto muito dele! É feminino, colorido, alegre… e ficou muito baratinho pois trata-se de colar aplicações (botões e fitas, que tinha cá por casa) num desses abajures de papel que se compram em qualquer lado.

Durante o destralhe e as arrumações da oficina, descobrimos este espelho que veio “oferecido” com um móvel de casa de banho. Nunca o utilizámos, pois achámos que não se adaptava…
Foi então que, olhando bem para ele, achei que podia dar-lhe outra hipótese… com uma reciclagem e uma volta valente, mais à nossa imagem.
Tirei-lhe as medidas;
Desenhei um molde em computador;
Levei-o ao vidraceiro e pedi que o cortassem segundo o molde;
Coloquei-lhe uma corrente;
E pendurei-o!

Este cachepot já pertenceu à mãe do Eme, veio cá para casa há uns anos e já abraçou muitos vasos com plantas diferentes. No outro dia, olhei para ele com aquele olhar de quem lhe vai dar um destino final. Achei que já tinha tido o seu papel nesta casa, estava velho e estragado – a base a soltar-se, o alumínio muito amassado…