Este cachepot já pertenceu à mãe do Eme, veio cá para casa há uns anos e já abraçou muitos vasos com plantas diferentes. No outro dia, olhei para ele com aquele olhar de quem lhe vai dar um destino final. Achei que já tinha tido o seu papel nesta casa, estava velho e estragado – a base a soltar-se, o alumínio muito amassado…

Às vezes desejava que saísse das minhas mãos a simplicidade das linhas que saem das mãos das crianças… a pureza do traço, antes ainda de criarem a dependência da borracha. Infelizmente, à medida que vamos crescendo, a mão é treinada, a linha estudada e a inocência perde-se. Exprimir desejos, sentimentos e refletir o mundo de cada um, nunca mais é feito da maneira que fazemos enquanto somos crianças… e isso tem mexido com a alma de muitos e muitos artistas artistas (estou a lembrar-me de Miró e do seu esforço ao longo da vida no sentido da simplificação do traço).
É por isso que me encantam os trabalhos dos meus pequenos aprendizes das Artes e é por isso que, na nossa casa, a arte da Ca mistura-se com a minha e com a de outros artistas dos quais gostamos. Desde sempre emoldurámos os desenhos, pinturas e pequenas esculturas que a Ca está constantemente a fazer e desde sempre ela viu o seu trabalho valorizado. No quarto, tem uma parede a que chamamos de “galeria”. Lá, expõe as suas obras favoritas e está sempre a ser atualizada a seu gosto.
Desta vez, resolvemos ir um pouco mais longe e juntar as nossas duas expressões. Começámos por selecionar dois desenhos de quando era bem pequena, duas obras com muito significado para nós – a mãe, o pai e ela. Digitalizei-os em alta resolução, com uma grande ampliação, pintei-os ao meu modo e eis o que saiu: