Imagino o que estarão a pensar: “Mas decorar prateleiras tem alguma ciência?”
Tem. Descobri que sim. Não é que exista uma e só uma forma de o fazer, ou uma fórmula. Há quem goste de prateleiras só de livros e quem goste de misturar itens; há quem prefira esquemas monocromáticos e quem viva de muita cor; há os extremamente organizadinhos e os mais descontraídos, os minimalistas, os maximalistas e os que estão a meio, entre uns e outros…
Todos estão certos desde que a decoração reflita o seu espírito com coerência, com sentido prático mas, também, com sentido estético. Sim, porque o espaço que habitamos é factor decisivo no nosso estado de espírito, no nosso bem-estar e está provado que a Estética, enquanto ciência que estuda o Belo, não é menos importante que a Ergonomia ou a Engenharia. Não é à toa que a Estética é uma importante disciplina da área da Filosofia, das Artes e de diversos cursos universitários, e eu, como profissional da área artística, já não consigo ignorar o sentido estético das coisas, daquilo que me rodeia.

Para a sala da nossa amiga recuperámos uma estante cujo próximo destino seria o lixo. Quando a vi, reparei que estava em mau estado, que já teria vindo de outro local, onde teria tido uma função muito específica. Vim a saber que veio de um sótão e fez parte de uma biblioteca pessoal (por isso aquele acabamento estranho, em bico).
Mesmo velhota, com rachas, cortes estranhos e muitos pregos, gostei logo dela! Gostei da madeira, da cor, da estrutura e da forma de encaixe peculiar das prateleiras. Achei que devíamos tentar recuperá-la pois ficaria muito bem na nova sala da Helena. Estantes estreitas são perfeitas para livros (e salas pequenas).

É muito usual ver cabos de carregadores neste estado, a desfazer-se junto ao terminal. Nós temos um assim.
No outro dia dei com ele com esta solução: uma palha a envolver a área fragilizada. Foi a Cá que descobriu, algures na internet.
É só cortar uma palhinha no comprimento, fazer outro corte longitudinal e encaixar no cabo.
Neste caso, como estava um pouco larga, a Cá colocou duas e a de dentro ficou um pouco mais apertada. Também se pode apertar a palhinha e colocar um pouco de fita-cola (ou uma washi tape toda giraça). Se não quisermos mesmo que saia do lugar, também se pode aquecer com um secador de cabelo até derreter um pouco e aderir ao cabo, mas nós não fomos tão longe…

E pronto! Mais um fim-de-semana de eventos – um casamento no sábado e, ontem, o aniversário do membro mais novo deste blog, a nossa Cá. Sim, a nossa menina está de parabéns por mais um ano, o 13.º, a entrada na adolescência (oh God!).
Entretanto – finalmente! – acho que é desta que a nossa sala vai entrar em pinturas!!! Uhuuuu! Hoje vamos comprar a tinta… NÃO É, MARCELO?

Ao longo dos anos juntámos alguns quadros, fruto de viagens, trabalho, compra e ofertas. Apesar do meu trabalho como ilustradora, não gosto de ver só obras minhas expostas (em casa até tenho poucas).
De vez em quando gostamos de variar a colocação dos quadros e molduras nas paredes de nossa casa e do atelier. Sai da sala vai para o quarto, sai do quarto e volta para a sala, troca este com aquele, sai um e fica outro… Isso faz-nos vê-los com outros olhos, descobrir neles coisas novas e “ouvir outras histórias”. Por isso, nesta “dança de cadeiras” por vezes há uns que ficam de fora.