Às vezes desejava que saísse das minhas mãos a simplicidade das linhas que saem das mãos das crianças… a pureza do traço, antes ainda de criarem a dependência da borracha. Infelizmente, à medida que vamos crescendo, a mão é treinada, a linha estudada e a inocência perde-se. Exprimir desejos, sentimentos e refletir o mundo de cada um, nunca mais é feito da maneira que fazemos enquanto somos crianças… e isso tem mexido com a alma de muitos e muitos artistas artistas (estou a lembrar-me de Miró e do seu esforço ao longo da vida no sentido da simplificação do traço).
É por isso que me encantam os trabalhos dos meus pequenos aprendizes das Artes e é por isso que, na nossa casa, a arte da Ca mistura-se com a minha e com a de outros artistas dos quais gostamos. Desde sempre emoldurámos os desenhos, pinturas e pequenas esculturas que a Ca está constantemente a fazer e desde sempre ela viu o seu trabalho valorizado. No quarto, tem uma parede a que chamamos de “galeria”. Lá, expõe as suas obras favoritas e está sempre a ser atualizada a seu gosto.
Desta vez, resolvemos ir um pouco mais longe e juntar as nossas duas expressões. Começámos por selecionar dois desenhos de quando era bem pequena, duas obras com muito significado para nós – a mãe, o pai e ela. Digitalizei-os em alta resolução, com uma grande ampliação, pintei-os ao meu modo e eis o que saiu:

Um dia, em casa da minha avó, resolvemos remexer a sua gaveta de naperons e, como já não os utilizava, a Mimila ofereceu-me alguns, na certeza de que eu faria bom uso deles. Na realidade, lembrei-me de que podiam ser aplicados em fronhas de almofada, tornando a minha avó sempre presente cá em casa. A minha mãe ofereceu-se para as fazer (já que o meu jeito para esta tarefa deixa muito a desejar…) e saíram lindas, lindas!

Como ilustradora, perco-me com
jogos de cores,
padrões,
texturas,
papeis,
fitas,
rendas,
tecidos…
Em modo festa 😉 e como nesta casa adoramos tudo o que envolve a palavra FESTA – planeamento, preparação, organização, convívio, amizade e alegria -, vou partilhar uma “mania” minha, que acho que confere um espírito festivo a qualquer objeto mais velho ou tristonho.
Há já muito tempo que tenho esta “mania”: recuperar objetos forrando-os com tecidos.
Tudo começou com uma cadeira de escritório que ficou com as pernas muito feias, depois de a ter tentado pintar. Então, desmontei-a, estofei-a e forrei toda a estrutura com fitas de tecido unidas por nós. Colei-as à cadeira com cola branca enquanto enrolava e, no final, cobri com verniz cola, o que lhes conferiu alguma impermeabilidade facilitando a tarefa da limpeza do pó.

Após uns dias chuvosos – que o nosso jardim agradece e nós também! – parece que no domingo o sol já vai espreitar, iluminando os nossos corações -> Dia dos Namorados, não esquecer. Namoradas, se eles não vos oferecerem flores, não tem nada que saber, façam como as mulheres da minha família, comprem-nas vocês e depois digam que é prenda deles! Todos ficam felizes ♥