Duas soluções para dois problemas

Hoje damos a palavra à nossa amiga Helena.
Em resposta ao último artigo publicado, recebemos uma mensagem sua e não podemos deixar de a partilhar. Arranjámos fotografias que complementam o texto, mas vamos ver se fazem justiça à realidade, dado que foram tiradas a correr, sem grandes preocupações estéticas…

Diz assim:

“Querida Carlota, realmente o vosso trabalho tem-me oferecido muito mais conforto! Pedi a vossa colaboração profissional, porque andava a sentir-me oprimida numa espécie de “ninhos de ratos”, ou melhor sem ratos, mas com papeis e papeis…
Estou muito satisfeita.
A Carlota não falou numa outra situação que também me dava desconforto e afligia e que vos pedi também ajuda.
Conto: a minha gata é muito querida mas com aquelas unhas afiadas, fez bons estragos nos maples e na cadeira de secretária! Mas, o Marcelo teve logo a ideia de embelezar o cadeirão bem estragado, com protecções em corda enrolada e madeira! Ficou muito bonito e apesar de não estarmos a acreditar que a gata “Pipocas” afiasse ali suas unhas, foi um espanto, quando dias depois ela começou a dar bem uso às suas garras, não arranhando noutros locais!!!”

E aqui está aquilo a que se refere a Helena.
Talvez devêssemos apenas escurecer as peças…

 

 

“Ora muito bem, mas ainda houve outra grande “magia” aqui não relatada!! A de um armário com um caos de papeis e caixas, até botas!
Sei que o Marcelo e a Carlota me ajudaram bastante! O Marcelo com sua arte manual, transformou um armário de fotos antigas, papeis e caixas (com muita história familiar guardada, assim como trabalhos da era da não existência de computadores), transformou em prateleiras proporcionadas!
Aviso a quem me ler:
Foi o começo de outro trabalho da Carlota, exímio! Aqui é que eu, masoquista (porque concordei,) sofri! Antes, já largara muita papelada, mas agora foi um acto fatal! Só ficaram os Diplomas para os netos, talvez, um dia olharem! Com muita a ajuda da Carlota e muito apoiada por ela, que fazia por consolar…”

Sim, o trabalho na sala da Helena não se cingiu à decoração. Mais importante do que isso foi a tarefa de selecionar e organizar todos os seus bens, os objetos que (como todos nós) ela foi adquirindo ao longo dos anos, as memórias que precisavam de ser entendidas e “revistas”… tudo, enfiado num armário com prateleiras inadequadas e mesmo já partidas.

 

Nesta situações, em casa da Helena como na nossa, a pergunta que faço sempre é:
De que vale guardarmos as coisas se não as conseguimos ver e utilizar devidamente?
Se é pela memória… a memória está dentro de nós… se é pelo respeito por quem no-lo ofereceu, esse respeito está connosco, não no objeto… se é por acharmos que nos pode, um dia, voltar a servir… quanto tempo faltará para esse dia chegar? O mais provável é nunca chegar.
Dirão: “Ah, mas isso vai fazer-me falta!”
Será que vai? Tem feito, nos últimos tempos (anos)?
Quanto a mim, já percebi que nos suga mais energia do que nos faz falta…

Foi giro. Foi giro ver a Helena tomar consciência “das coisas”. E não foi nada difícil! A nossa amiga estava preparadíssima para esta tarefa… desejosa, mesmo!
Claro que houve um ou outro “abrir da pestana”, e uma ou outra pausa para contar uma história e perceber a dimensão da decisão de pegar ou largar, e uma ou outra careta e torcidela de nariz,… e risos.

Descartar não é vestirmo-nos de retroescavadora e levar tudo à frente! A Helena gosta de escrever, por exemplo. Guardámos, então, folhas de papel A4 (muitas, que foram aparecendo, de várias cores, padrões e texturas), papel de carta (novo e antigo), envelopes (de todas as formas e feitios) e muitos postais (sobretudo de obras de arte, pintura, que ela aprecia e gosta de dedicar aos amigos). Se tudo aquilo fosse meu, eu teria descartado, mas eu perdi o hábito de escrever cartas… e a Helena tenciona continuar a fazê-lo… e eu acho bem.

Entre fotografias, álbuns, postais e cartas, documentos importantes, decorações de natal, instrumentos de costura e bricolage, foi assim que ficou organizado o armário:

 

 

Comprar caixas não foi a nossa primeira decisão. Aliás, foi a última. Só após analisarmos tudo o que iria ficar, como deveria ser organizado e que materiais poderíamos reaproveitar, é que adquirimos o que faltava. Na realidade, não faltava muito, mas encontrei umas caixas perfeitas para as fotografias soltas, negativos e slides, postais e cartas. Têm uma janela que dá para ver o que contém o interior. As restantes caixas e revisteiros foram etiquetados com a minha super-etiquetadora-coisa-mai-linda-da-mãe.

A Helena ainda resume assim:
“Critérios para uma modificação destas, na casa de um idoso: que seja ele a pedir; que tenha uma equipa de designers que suportem a pessoa em causa, neste tipo de confusão/organização, de ver tudo na casa, diferente!
Obrigada de todo o coração, Marcelo e Carlota pelo belo trabalho que fizeram!”

Helena, já lhe disse uma vez e vou dizer outra: nós é que agradecemos a confiança que depositou em nós, o ter aberto a porta de casa, a alma e o coração para nós entrarmos e podermos ajudar. Somos melhores hoje do que ontem e a si o devemos!

Carl♥ta

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3 Comentários
  • Maria Fátima Carvalho
    Publicado às 13:55h, 28 Julho Responder

    Era destas ideias que eu estava a precisar… Um dia destes temos de conversar….! bom trabalho

  • Mariana
    Publicado às 20:47h, 16 Julho Responder

    Olá! Ficou muito bem! De onde são as caixas com janela?

    • Carlota
      Publicado às 22:23h, 16 Julho Responder

      São de uma loja chinesa aqui em Cascais. Também nunca tinha visto em mais lado nenhum.

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