Ainda a propósito do “tom”, no verão é costume engalanarmos a entrada da nossa casa de cores alegres e festivas. Com esta luz maravilhosa e o calor que se faz sentir, gostamos de relaxar no jardim, fazer refeições no exterior e sentir que estamos sempre em festa, mas o telheiro de acesso à entrada, na realidade, não é muito bonito e tira-lhe muita luz. Com a lenha para o inverno, a mangueira do jardim e uns quantos outros objetos perdidos…  facilmente se torna desarrumado e triste. O muro que esconde o jardim das traseiras, também não ajuda e encerra ainda mais o espaço. Apesar de já ter sido pintado, encontra-se em muito mau estado e, um dia, virá abaixo, mas isso são planos para o futuro…
Espaços escuros e tristes pedem uma decoração leve, luminosa e alegre.
Com um varão velho e uns cortinados (da Casa) baratinhos e muito leves, criou-se uma entrada que faz lembrar as mil e uma noites. Por detrás, encontra-se um banco que oferecido por uma tia (debaixo do qual se guarda a lenha), um baloiço construído por nós e, claro, algumas plantas.

Sim, todas as casas têm um tom – um tom de cor, um tom de estilo… e até mesmo um certo tom musical. Quando entramos na casa de alguém sentimos-lhe o tom, não concordam? E até conseguimos ouvir a música tocar numa grafonola, gira-discos ou leitor digital. Na nossa, acho que o tom é de gira-discos a dar para o digital mas, para mim, podia ser de grafonola… uma Billie Holiday… ♥
Quando mudámos para cá, eu queria um tom neutral e  o Eme queria cor e tons alegres (a Ca ainda não queria nada). Fiquei um pouco frustrada por não termos a mesma opinião acerca do “tom” da nossa casa. No início, deu origem a algumas discussões…

Parece um detalhe mas é mais do que isso…
A nossa vida é uma loucura! Os nossos olhos e a nossa mente não páram… milhões de imagens cercam-nos onde quer que estejamos e isso faz-nos perder o foco. Mesmo de férias, as nossas mentes andam a mil. Mesmo em casa, por todo o lado, estamos sempre acompanhados de poluição visual – nos sacos das compras, nas revistas e jornais, na publicidade que vem por correio, nas etiquetas dos produtos que compramos, nos rótulos dos frascos…
É por esta razão que, de vez em quando, temos mesmo que parar. Parar para pensar… e para nos focarmos novamente. Hoje, parei para olhar o meu jardim, para o ver com olhos de ver, para encontrar aquilo que de vez em quando perco. Hoje, encontrei isto, que partilho com vocês.

A organização da nova oficina está a dar que fazer. Como era um espaço vazio, um telheiro que fechámos, tudo tem que ser, agora, pensado e criado de raiz para as reais necessidades que temos tido nos últimos anos.
Depois de termos arranjado uma solução para as traves de madeira mais compridas, arranjámos agora duas outras: uma estrutura amovível, com rodízios, para as tábuas mais pequenas, e um sistema de organização de pequenas calhas, varas, varões e varetas, a partir de tubos de cartão.