Sempre que os nossos pais, tios e amigos vêm cá a casa, já entram a perguntar:
“Então, o que há de novo?”
“Eh pá, isto está diferente!” – também é costume ouvirmos…
Desta vez foi a mãe do Eme: “Então, há mudanças nesta casa? Quais são as novidades? Ah, ainda não tinha visto isto!…”
Tenho, então, andado a pensar: Será que isto só nos acontece a nós? E será bom ou mau? Devemos ficar contentes por aguçar a curiosidade das nossas visitas ou será isto sinal de alguma maluquice da nossa parte? Será que já acabávamos com estas obras e mudanças?
O problema foi que quando nos mudámos para cá, há cerca de 10 anos, fizémos obras, não assim tão pequenas, mas com um orçamento limitado às nossas possibilidades. Por outro lado, pouco depois surgia a oportunidade única de adquirir também o rés-do-chão (uma segunda casa, mais pequena), onde instalámos o atelier. De lá para cá, a nossa lista de afazeres nunca mais teve fim.
Se tivéssemos um milhão de euros, esta casa já estaria um brinco!
… mas, se calhar, já estaríamos prontos para sair dela e ir para outra. E aqui é que reside a nossa pequena “insanidade mental” – gostamos desta casa porque quase tudo nela tem sido feito com as nossas mãos; gostamos desta casa porque a vemos evoluir, porque nos dá luta, porque nos faz definir objetivos e fazer planos em família; gostamos dela porque temos vindo a ajustá-la às nossas necessidades, assentando-nos que nem uma luva… e porque no dia em que nos deixar de dar que fazer, perderá a graça.