Ai, as segunda-feiras custam tanto, não é?
Principalmente, se o fim-de-semana foi passado fora de casa, num curso que durou os dois dias inteirinhos, e a nossa vida ficou um pouco suspensa…
Pois é, hoje começo a semana com a sensação de já estar com pouco tempo para aquilo que gostaria, preciso e tenho mesmo que fazer… hoje, deveria estar de folga para colocar no lugar tudo o que absorvi no fim-de-semana e organizar os dias que se seguirão daqui para a frente. Ainda por cima, hoje foi logo a abrir, com trabalho para entregar… puf!

Este ano achámos que estava na hora da nossa pequena crescer mais um bocadinho e tornar-se mais responsável. Que isto de andar sempre a definir os seus momentos de estudo, estar sempre a dizer “Tens que estudar”, perguntar todos os dias “Não tens trabalhos para fazer?”, lembrar “Hoje temos que estudar para o teste não-sei-de-quê” e ter que fixar o seu calendário de testes e trabalhos… não faz mais sentido. Cansa-nos muito, faz-nos sentir chatos e retira-lhe muita da responsabilidade que ela tem que se habituar a ter. Mesmo connosco sempre atrás, houve trabalhos que não fez, livros que ficaram em casa quando deviam ter ido para a aula e livros que ficaram na escola quando deviam ter vindo para casa para estudar… em relação ao estudo, nada acontecia se não fôssemos nós a mandar… e nunca queria tirar dúvidas com os professores.

Cada vez gosto mais de acordar cedo. Descobri que sou daquelas que gosta de se levantar com as galinhas — ou ainda mais cedo — para começar o dia com muita calma… e ver o mundo a acordar. E o que faço eu quando me levanto às 5h30m? Cirando. Vou à janela ver como estão o céu e o mar, preparo os meus flocos, sento-me no sofá, dou uma volta pelas redes sociais (quando me apetece)… deambulo e preparo o acordar do resto da malta. Se há coisa que nesta casa se evita são as manhãs de stress. Nada como acordar cedo e com tempo para fazer tudo e mais umas coisas.
Nem sempre foi assim (e não é todos, todos os dias assim!). Descobri há poucos meses que me fazia sentir muita ansiedade acordar, sentir o trânsito na rua, sentir meio mundo já em atividade, comer a correr, vestir-me a correr (como se quisesse ir atrás do resto do mundo), preparar tudo a correr e colocar-me imediatamente ao trabalho. Descobri que isso é uma violência para mim, por isso, comecei a sair da cama mais cedo. Sair da cama não quer dizer que esteja “acordada”… Isso, eu vou fazendo enquanto deambulo.
Há anos que não uso despertador. Acordava sempre antes que ele tocasse porque o toque irritava-me. Comecei a acordar à hora que queria ou precisava.
E quando é que eu acordo mais cedo? Pasme-se! Ao fim-de-semana. Antes não sabia porquê, mas comecei a perceber: assim, o fim-de-semana torna-se maior para podermos fazer tudo aquilo que mais gostamos. 😉
Durante a semana, acordar antes do movimento na rua, antes do sol já ir alto, devagarinho, deixa-me realmente mais tranquila e bem disposta.
Mas, claro, acordar cedo implica deitar cedo, coisa que eu já fazia… deitada no sofá, depois do jantar, a “ver” televisão sem interesse… agora, faço-o de uma forma mais produtiva, na cama, depois de um pouco de leitura.

Quando, no início deste ano, decidimos tornar a nossa casa e atelier locais mais cuidados, inspiradores e serenos, já sabíamos que iríamos ter muuuuito trabalho! Conviver diariamente com os verbos “arrumar”, “organizar”, “arranjar”, “criar”, “restaurar”,… e partilhar tudo isso num blogue com alguma qualidade e interesse… não é tarefa fácil.
Como costumamos dizer, “o tempo ruge”… e, por vezes, assusta-nos!

E é sempre bom voltar ao lar…
As nossas férias deste ano implicaram uma grande viagem de carro, muitos quilómetros percorridos, muitas terras visitadas, vários quartos de hotel e apartamentos. Parte deste tempo fomos 12 à mesa, 12 para sair de casa, 12 para enfiar em dois carros e 12 a passear! Em família, acompanhámos o homem da casa na sua grande aventura de participação no UTMB – Ultra Trail do Monte Branco, 170 kms em menos de 45 horas, entre França, Suíça e Itália. Foi muito divertido e muito bom!
Agora, há por aqui um sentimento agridoce… por um lado, a sensação amarga do final de férias (com os dias passados em família e menos preocupações e responsabilidades para gerir), por outro, a sensação doce do regresso às nossas rotinas (e à segurança daquilo que já tão bem conhecemos) com novas ideias, novos planos e objetivos traçados.
Só que, não sei porquê, este ano não me sinto cheia de ideias e de “ganas” para trabalhar nelas, como é costume…
Sim, regressámos com vontade de recomeçar e de trabalhar nos novos planos, mas, quanto a mim, ainda me ficou a faltar o dolce far niente que tanto aprecio, que é para mim muito estimulante e que, acreditem!, energiza a minha criatividade. Acho que não vou poder render-me já à ideia de que o descanso ficou para trás… vou tentar, ainda, aproveitar os finais de dia e os fins-de-semana. A minha cabeça está às voltas com “tanta informação” e a precisar de ser arrumada. Os meus recomeços não podem ser atabalhoados, têm que ser mais tranquilos.
Somos todos diferentes, o Eme não tem esta necessidade… eu tenho. E sei que há por aí muita gente como eu.
Por isso, vamos fazer esta transição com tranquilidade, sem ansiedades e a aproveitar a luz dos dias.

Eis que chegam as tão desejadas férias… e o que se faz nos primeiros dias? Organização e limpezas!
Se há coisa que gosto mesmo de fazer é ir de férias com tudo organizado — trabalho, casa, saúde, papeladas,… É que já sei que setembro vai entrar em grande, com muito trabalho, regresso às aulas, às rotinas diárias e, logo de seguida, vêm as chuvas e os dias pequenos.

De volta da jardinagem conseguimos partir um vaso grande e bonito, do qual eu gostava particularmente… só a função que atribuímos agora ao prato me deixou um pouco mais feliz. Estas são as conchas que, durante anos, eu e a Ca trouxemos dos nossos passeios e brincadeiras na praia. Estão agora à entrada de casa, para nos fazer lembrar a sorte que temos em ter um mar tão bonito aqui tão perto! E quantas vezes nos esquecemos de valorizar aquilo que temos ao nosso lado?

Parece um detalhe mas é mais do que isso…
A nossa vida é uma loucura! Os nossos olhos e a nossa mente não páram… milhões de imagens cercam-nos onde quer que estejamos e isso faz-nos perder o foco. Mesmo de férias, as nossas mentes andam a mil. Mesmo em casa, por todo o lado, estamos sempre acompanhados de poluição visual – nos sacos das compras, nas revistas e jornais, na publicidade que vem por correio, nas etiquetas dos produtos que compramos, nos rótulos dos frascos…
É por esta razão que, de vez em quando, temos mesmo que parar. Parar para pensar… e para nos focarmos novamente. Hoje, parei para olhar o meu jardim, para o ver com olhos de ver, para encontrar aquilo que de vez em quando perco. Hoje, encontrei isto, que partilho com vocês.