Quem disse que numa gaveta grande é muito mais fácil manter as coisas arrumadas?
Pois na gaveta da roupa interior do Eme reina(va) sempre grande confusão. A culpa não é dele. As peças pequenas em espaços grandes “voam” de um lado para o outro, desdobram-se e afastam-se do seu par. Confesso que nunca me ocupei muito a resolver esta questão porque divisórias de gaveta e caixinhas para guardar coisas sempre fizeram muito mais o meu género do que o dele.
Só que…
… chega o dia em que olhamos para aquele aparato e pensamos: “Não, ninguém deve ter gosto em abrir uma gaveta assim! Ontem foi Dia do Pai… e o que lhe oferecemos nós? Nada. Pois, então cá vai!… Cuecas e meias novas e uma gaveta arrumada!”

Os planos para o fim-de-semana vão sempre muito para além do tempo disponível para os concretizar. Ainda assim, não me sinto frustrada. Foram dois dias muito produtivos: almoço em família, compras para a despensa, “jeitinho” no hall de entrada, que mais parecia o Depósito dos Sapatos (implica arrumos por baixo das escadas e telheiro à entrada de casa), corri os meus primeiros 5kms, hoje de manhã – uhuuuuu! – e… organização da oficina em andamento!
A organização da oficina tem sido feita à medida do tempo disponível, o qual, nesta reta final de execução de manuais escolares com diversas editoras, tem sido mínimo, mínimo… mas aqui vão os ditos progressos (e reparem nas miudezas a arrumar):

O atelier, o espaço onde passamos a maior parte do nosso tempo, é todo o rés do chão da nossa casa. Adquirimos esta área mais tarde, com o propósito de instalar aqui o nosso local de trabalho e, desde então,  tem estado em constante mudança. Há sempre novidades por cá! Uma canseira…
Onde foi uma cozinha é agora a sala do Eme, onde foi a minha sala é agora a cozinha e antes já tinha sido um… um quê?… já nem sei bem…
Aqui, construímos os equipamentos para os nossos clientes e aqui armazenamos todas essas criações que vão e vêm.
Mesas, cadeiras e armários rodam, viajam, entram e saem – muitas vezes por janelas – à espera de encontrar o seu lugar ideal. O pessoal vai rodando com os móveis, vai andando de sala em sala. Monotonia é coisa que aqui não há.
E vai sendo tudo feito à medida das possibilidades (e com as nossas mãos).
Julgo, no entanto, que estamos a chegar à situação ideal. É como quando estamos a adormecer: damos meia dúzia de voltas na cama até encontrar a posição certa e, depois, o descanso. (Ou, se calhar, não.)
Depois de fecharmos o telheiro lateral de acesso a este piso e alterarmos a entrada da casa para a frente do edifício, o Eme ganhou mais uma oficina! Com um portão de garagem, é agora o ideal para trabalhar num espaço que pode ser muito arejado mesmo nos dias de chuva. E o que ganhámos todos? Um interior mais limpo, sem cheiros de colas, resinas, madeiras e esferovite, serradura e pó por todo o lado. Uhhuuuuhhhh!
O que era, então, a oficina, destinar-se-á agora àquilo a que podemos chamar “sala de maquetes”, uma oficina para pequenas obras e trabalhos mais limpos. Para lá vão as nossas maquinetas de corte e recorte, colagem e outras tarefas giras. Festaaaa!!!

A nossa sala é local de chegada, local de passagem, local de estudo, de refeição, de criação, de leitura e de descanso. Vivemo-la muito intensamente e, por essa razão, era frequente vermos uma série de objetos desarrumados – as malas, os casacos, os telemóveis, o portátil, o tablet, todos os respetivos carregadores, um verniz (que serviu para pintar as unhas em frente à televisão), uma fita-cola, um lápis e uma borracha (que serviram para o estudo), os livros (que sairam da mochila e que amanhã não vão à escola), os blocos de apontamentos… enfim, tudo aquilo de que vamos necessitando e que vamos espalhando por todo o lado.
Ora, isto agrava-se quando a casa tem dois andares e, fartos de subir e descer escadas, fechamos os olhos ao que deveria ser arrumado “lá em cima”.
Para além da imagem desarrumada e desconfortável que passa, coloco-me no lugar da nossa empregada doméstica e imagino a dificuldade que terá em saber onde arrumar toda aquela “tralha”. Sim, é tanta que não o faz…

Ao arrumar a lavandaria descobri uma dezena de abajures novos e sei que pela casa andarão mais quatro ou cinco velhos…
Quantas vezes nos acontece passar horas e horas a arrumar para chegar ao fim e perceber que o espaço continua cheio e que não caberá nem mais um novo objeto? Quantas vezes arrumamos um espaço que, pouco tempo depois, regressa à desordem inicial?
Pensei, procurei e descobri a resposta, que agora partilho. Para muitos, não será o que gostariam de ouvir, já que implica livrarmo-nos de muitos dos objetos que julgamos que nos são úteis. Todos nós tendemos a guardar roupas, papéis, cremes, eletrodomésticos, enfim, um sem número de objetos que não usamos mas que nos “poderão vir a fazer falta”. O que é certo é que muitos desses objetos muito bem arrumados serão só e tão apenas isso… objetos arrumados. E nós lá vamos, seguindo os dias… com novos objetos a entrar nas nossas casas (vindos de todas as partes – verdade seja dita – do pai, da mãe, dos filhos, dos netos,…) e com as nossas vidas a ficar atulhadas de coisas que não precisamos.